Folha de São Paulo mente sobre Paraisópolis

No dia 9 de junho, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma matéria em seu caderno cotidiano entitulada “Diretores da Bienal de Roterdã vão a favela e são hostilizados”.

Ao longo da matéria, o jornal afirma que durante a visita dos curadores de Bienal de Arquitetura de Roterdã (Holanda) a Paraisópolis, os moradores jogaram pedras e gritavam para que os estrangeiros saissem dali.

Essa informção é falsa, e não corresponde ao que realmente aconteceu na ocasião. Abaixo segue um texto também publicado na Folha, contando o que realmente aconteceu.

“Integro um movimento que congrega cerca de cem entidades e, com a
comunidade, estamos contribuindo com a campanha Paraisópolis Exige
Respeito.
Quando soubemos da visita do grupo de curadores da Bienal de Roterdã à
comunidade de Paraisópolis (“Diretores da Bienal de Roterdã vão a
favela e são hostilizados”, Cotidiano, 9/ 6), decidimos mostrar o
outro lado da urbanização (morte em abrigo da prefeitura, despejos de
forma violenta com aparato policial, tratores destruindo casa quando a
proprietária busca os filhos na creche).
Organizamo-nos com camisetas da campanha e faixas mostrando nossa
indignação. Encontramos o grupo de curadores em uma viela e paramos em
frente aos carros, solicitando que fôssemos escutados.
Aguardou-se pacificamente que um representante viesse dialogar com o grupo.
Vieram conversar com os manifestantes o arquiteto venezuelano e os
repórteres presentes -inclusive o repórter da Folha, que entrevistou
vários moradores. Os manifestantes exigiam moradia e respeito e
conseguiram marcar uma reunião com a senhora Elizabeth França.
E foi com espanto que lemos a reportagem da Folha, que transformou uma
manifestação pacífica de moradores em ato de vandalismo.
Não é verdade que a “favela recebeu o diretor da Bienal holandesa a
pedradas”. A comunidade recebeu-o com uma manifestação, e a foto do
texto comprova o ato pacífico. O grupo não hostilizou os estrangeiros.
O objetivo era um diálogo, que ocorreu sem problemas -e só pôde
ocorrer por causa da manifestação.
Gostaríamos de saber por que o repórter não escreveu o que ouviu da
comunidade? O que motivou o repórter a só apresentar um ponto de
vista? A Folha deixou de ter responsabilidade com a comunidade?
Não busca se diferenciar dos jornais sensacionalistas? Por que o
repórter fez questão de ressaltar o lado agressivo (que não ocorreu
por parte dos manifestantes) em detrimento da verdade?”
MARISA FEFFERMANN , campanha Paraisópolis Exige Respeito (São Paulo, SP)

1 Resposta para “Folha de São Paulo mente sobre Paraisópolis”


  1. 1 Nei junho 25, 2009 às 2:51 am

    Não é só Paraisópolis que exige respeito.

    Contra essa porcalhada que governa São Paulo e saqueia a população pobre, todas as periferias deveriam se unir.

    Agora eles querem tirar todos os pobres que estão no caminho das empreiteiras, dos condomínios de luxo, perto dos mauricinhos e patricinhos, vizinhos da Daslu (ou Daspu, é a mesma m….)

    Estão pressionando nas Águas Espraiadas, Paraisópolis, no Centro, na Vila Mariana, na Vila Santa Catarina, os ladrões querem jogar todos os pobres para lá da Cidade Tiradentes, de Parelheiros, de Perus.

    No dia em que os “bandeirantes-piratas e assassinos” quiserem fazer condomínios para lá do Parque do Carmo a Cidade Tiradentes vai parar prá lá de Mogi das Cruzes.

    serra, kassab, júlio neves, maluf, pitta, um dia nós ajustaremos as contas com vocês.


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